quinta-feira, 18 de outubro de 2012
>Política Externa Na Campanha dos EUA
Por: Belarmino Van-Dúnem
No último debate para as presidenciais nos EUA os dois candidatos, o Presidente cessante Barack Obama e o candidato do Partido Republicano, Mitt Romney, trocaram razões relativamente as questões internacionais.
O primeiro assunto que sobressaiu foi, como era de esperar, a luta contra o terrorismo internacional. Nesta matéria Barack Obama não teve dificuldade em chamar para si a vitoria sobre o terrorismo internacional. A decapitação da Al-qaïda através da morte e captura dos seus principais líderes que culminou com morte de de Ben Laden. Este facto coincidiu com a retirada progressiva dos EUA no Afeganistão.
O terrorismo internacional tem sido a bandeira dos EUA, servindo de pressuposto para expansão do sistema de segurança avançada, desde dos ataques de 11 de Setembro de 2001 que a presença das tropas americanas no mundo triplicou.
O candidato Mitt Romney contra-atacou, afirmando que a ameaça terrorista ainda paira sobre os EUA, recorreu aos recentes ataque contra a embaixada dos seu país em Benghazi, na Líbia, tendo vitimado o embaixador. Obama teve que responder com o obvio, "esta foi uma acção deliberada dos terroristas que usam a violência para impor a sua ideologia".
A divergência mais marcante foi relativa a questão Síria. Enquanto Barack Obama se mostrou cooperante, mantendo uma postura de aproximação tanto à Rússia como à China. Romney mostrou a "garra", segundo a convicção do candidato republicano os EUA têm que recuperar a liderança do processo Sírio.
Hà necessidade de retirar o protagonismo que a Rússia está a ter até a data. Mitt Romney, acusou o seu opositor de ter abandonado os aliados europeus a sua sorte e prometeu, caso vença, tudo fazer para que os sírios que "comungam dos mesmos valores que os americanos possam obter armas para lutar pelos seus direitos. Esta afirmação pode ser um " piscar de olhos" a industria de armamento que poderá ter aqui uma boa oportunidade de negocio, tendo em atenção o lobby das armas, não deixa de ser uma boa cartada eleitoral no contexto dos EUA.
Outro ponto fraco do Presidente cessante é o problema do Estado palestiniano. Apesar de ter mostrado que não morre de amores pela política de Israel, desde a sua eleição Obama, pouco ou nada conseguiu fazer para criação do Estado da Palestina, alias os EUA vetaram essa possibilidade no Conselho de Segurança e foram contra a integração da Palestina como membro de pleno direito na UNESCO. Mas o presidente Obama já foi flagrado pelos jornalistas a desabafar que estava desconfortável com o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu. Tendo em atenção o peso do voto e do lobby judeu nos EUA, esta fragilidade do candidato democrata pode contar para a negativa.
O Irão dá o ponto de encontro, ambos corroboram da ideia de que é necessário impedir que o as autoridades de Teherão consigam desenvolver a sua tecnologia a ponto de poderem produzir uma pomba nuclear. Portanto um ataque militar contra o Irão nos próximos cinco anos é uma eventualidade independentemente do vencedor.
No que respeita ao continente africano, Barack Obama tem ideias mais claras e mostra-se muito a vontade. Embora eu reconheça que desde 1958, ano em que foi criado o Gabinete para os Assuntos Africanos nos EUA, a política americana para África só mudou o paradigma da luta contra a expansão do comunismo, actualmente substituída pelo combate ao terrorismo.
Obama tal como os seus antecessores defendeu um plano estratégico para África: consolidação das instituições democráticas, estimular o crescimento através do investimento, priorizar a paz e o desenvolvimento. Estes chavões já são bastante conhecidos é ninguém acredita que a ajuda sem desenvolvimento que caracterizou as relações entre os Estados africanos e os países industrializados nos últimos 50 anos, irá mudar agora.
No entanto, Obama enviou tropas especiais para ajudar o Uganda a prender Joseph Kony, fez uma campanha internacional a favor da independência do Sudão do Sul. Convidou os presidentes do Benin, Tanzânia, Etiópia e Gana para participar na Cimeira do G8. Efectuou uma visita ao Gana e ficou por aí durante todo o mandato, nem parece filho de um queniano, antes visitava a avó, agora acho que a velha tem se deslocado aos EUA para ver o neto.
Obama fez planos para conter o terrorismo na Somália e faz declarações sobre as questões de África com frequência.
Os seus colaboradores directos deslocam-se ao continente berço com regularidade. Se algum africano estava esperançado em ter melhores dias por causa de Barack Obama hoje está muito mais céptico, faltam menos de cinco semanas e a luta para ocupar a Casa Branca está renhida.
>Política Externa Na Campanha dos EUA
Por: Belarmino Van-Dúnem
No último debate para as presidenciais nos EUA os dois candidatos, o Presidente cessante Barack Obama e o candidato do Partido Republicano, Mitt Romney, trocaram razões relativamente as questões internacionais.
O primeiro assunto que sobressaiu foi, como era de esperar, a luta contra o terrorismo internacional. Nesta matéria Barack Obama não teve dificuldade em chamar para si a vitoria sobre o terrorismo internacional. A decapitação da Al-qaïda através da morte e captura dos seus principais líderes que culminou com morte de de Ben Laden. Este facto coincidiu com a retirada progressiva dos EUA no Afeganistão.
O terrorismo internacional tem sido a bandeira dos EUA, servindo de pressuposto para expansão do sistema de segurança avançada, desde dos ataques de 11 de Setembro de 2001 que a presença das tropas americanas no mundo triplicou.
O candidato Mitt Romney contra-atacou, afirmando que a ameaça terrorista ainda paira sobre os EUA, recorreu aos recentes ataque contra a embaixada dos seu país em Benghazi, na Líbia, tendo vitimado o embaixador. Obama teve que responder com o obvio, "esta foi uma acção deliberada dos terroristas que usam a violência para impor a sua ideologia".
A divergência mais marcante foi relativa a questão Síria. Enquanto Barack Obama se mostrou cooperante, mantendo uma postura de aproximação tanto à Rússia como à China. Romney mostrou a "garra", segundo a convicção do candidato republicano os EUA têm que recuperar a liderança do processo Sírio.
Hà necessidade de retirar o protagonismo que a Rússia está a ter até a data. Mitt Romney, acusou o seu opositor de ter abandonado os aliados europeus a sua sorte e prometeu, caso vença, tudo fazer para que os sírios que "comungam dos mesmos valores que os americanos possam obter armas para lutar pelos seus direitos. Esta afirmação pode ser um " piscar de olhos" a industria de armamento que poderá ter aqui uma boa oportunidade de negocio, tendo em atenção o lobby das armas, não deixa de ser uma boa cartada eleitoral no contexto dos EUA.
Outro ponto fraco do Presidente cessante é o problema do Estado palestiniano. Apesar de ter mostrado que não morre de amores pela política de Israel, desde a sua eleição Obama, pouco ou nada conseguiu fazer para criação do Estado da Palestina, alias os EUA vetaram essa possibilidade no Conselho de Segurança e foram contra a integração da Palestina como membro de pleno direito na UNESCO. Mas o presidente Obama já foi flagrado pelos jornalistas a desabafar que estava desconfortável com o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu. Tendo em atenção o peso do voto e do lobby judeu nos EUA, esta fragilidade do candidato democrata pode contar para a negativa.
O Irão dá o ponto de encontro, ambos corroboram da ideia de que é necessário impedir que o as autoridades de Teherão consigam desenvolver a sua tecnologia a ponto de poderem produzir uma pomba nuclear. Portanto um ataque militar contra o Irão nos próximos cinco anos é uma eventualidade independentemente do vencedor.
No que respeita ao continente africano, Barack Obama tem ideias mais claras e mostra-se muito a vontade. Embora eu reconheça que desde 1958, ano em que foi criado o Gabinete para os Assuntos Africanos nos EUA, a política americana para África só mudou o paradigma da luta contra a expansão do comunismo, actualmente substituída pelo combate ao terrorismo.
Obama tal como os seus antecessores defendeu um plano estratégico para África: consolidação das instituições democráticas, estimular o crescimento através do investimento, priorizar a paz e o desenvolvimento. Estes chavões já são bastante conhecidos é ninguém acredita que a ajuda sem desenvolvimento que caracterizou as relações entre os Estados africanos e os países industrializados nos últimos 50 anos, irá mudar agora.
No entanto, Obama enviou tropas especiais para ajudar o Uganda a prender Joseph Kony, fez uma campanha internacional a favor da independência do Sudão do Sul. Convidou os presidentes do Benin, Tanzânia, Etiópia e Gana para participar na Cimeira do G8. Efectuou uma visita ao Gana e ficou por aí durante todo o mandato, nem parece filho de um queniano, antes visitava a avó, agora acho que a velha tem se deslocado aos EUA para ver o neto.
Obama fez planos para conter o terrorismo na Somália e faz declarações sobre as questões de África com frequência.
Os seus colaboradores directos deslocam-se ao continente berço com regularidade. Se algum africano estava esperançado em ter melhores dias por causa de Barack Obama hoje está muito mais céptico, faltam menos de cinco semanas e a luta para ocupar a Casa Branca está renhida.
Política Externa Na Campanha dos EUA
Por: Belarmino Van-Dúnem
No último debate para as presidenciais nos EUA os dois candidatos, o Presidente cessante Barack Obama e o candidato do Partido Republicano, Mitt Romney, trocaram razões relativamente as questões internacionais.
O primeiro assunto que sobressaiu foi, como era de esperar, a luta contra o terrorismo internacional. Nesta matéria Barack Obama não teve dificuldade em chamar para si a vitoria sobre o terrorismo internacional. A decapitação da Al-qaïda através da morte e captura dos seus principais líderes que culminou com morte de de Ben Laden. Este facto coincidiu com a retirada progressiva dos EUA no Afeganistão.
O terrorismo internacional tem sido a bandeira dos EUA, servindo de pressuposto para expansão do sistema de segurança avançada, desde dos ataques de 11 de Setembro de 2001 que a presença das tropas americanas no mundo triplicou.
O candidato Mitt Romney contra-atacou, afirmando que a ameaça terrorista ainda paira sobre os EUA, recorreu aos recentes ataque contra a embaixada dos seu país em Benghazi, na Líbia, tendo vitimado o embaixador. Obama teve que responder com o obvio, "esta foi uma acção deliberada dos terroristas que usam a violência para impor a sua ideologia".
A divergência mais marcante foi relativa a questão Síria. Enquanto Barack Obama se mostrou cooperante, mantendo uma postura de aproximação tanto à Rússia como à China. Romney mostrou a "garra", segundo a convicção do candidato republicano os EUA têm que recuperar a liderança do processo Sírio.
Hà necessidade de retirar o protagonismo que a Rússia está a ter até a data. Mitt Romney, acusou o seu opositor de ter abandonado os aliados europeus a sua sorte e prometeu, caso vença, tudo fazer para que os sírios que "comungam dos mesmos valores que os americanos possam obter armas para lutar pelos seus direitos. Esta afirmação pode ser um " piscar de olhos" a industria de armamento que poderá ter aqui uma boa oportunidade de negocio, tendo em atenção o lobby das armas, não deixa de ser uma boa cartada eleitoral no contexto dos EUA.
Outro ponto fraco do Presidente cessante é o problema do Estado palestiniano. Apesar de ter mostrado que não morre de amores pela política de Israel, desde a sua eleição Obama, pouco ou nada conseguiu fazer para criação do Estado da Palestina, alias os EUA vetaram essa possibilidade no Conselho de Segurança e foram contra a integração da Palestina como membro de pleno direito na UNESCO. Mas o presidente Obama já foi flagrado pelos jornalistas a desabafar que estava desconfortável com o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu. Tendo em atenção o peso do voto e do lobby judeu nos EUA, esta fragilidade do candidato democrata pode contar para a negativa.
O Irão dá o ponto de encontro, ambos corroboram da ideia de que é necessário impedir que o as autoridades de Teherão consigam desenvolver a sua tecnologia a ponto de poderem produzir uma pomba nuclear. Portanto um ataque militar contra o Irão nos próximos cinco anos é uma eventualidade independentemente do vencedor.
No que respeita ao continente africano, Barack Obama tem ideias mais claras e mostra-se muito a vontade. Embora eu reconheça que desde 1958, ano em que foi criado o Gabinete para os Assuntos Africanos nos EUA, a política americana para África só mudou o paradigma da luta contra a expansão do comunismo, actualmente substituída pelo combate ao terrorismo.
Obama tal como os seus antecessores defendeu um plano estratégico para África: consolidação das instituições democráticas, estimular o crescimento através do investimento, priorizar a paz e o desenvolvimento. Estes chavões já são bastante conhecidos é ninguém acredita que a ajuda sem desenvolvimento que caracterizou as relações entre os Estados africanos e os países industrializados nos últimos 50 anos, irá mudar agora.
No entanto, Obama enviou tropas especiais para ajudar o Uganda a prender Joseph Kony, fez uma campanha internacional a favor da independência do Sudão do Sul. Convidou os presidentes do Benin, Tanzânia, Etiópia e Gana para participar na Cimeira do G8. Efectuou uma visita ao Gana e ficou por aí durante todo o mandato, nem parece filho de um queniano, antes visitava a avó, agora acho que a velha tem se deslocado aos EUA para ver o neto.
Obama fez planos para conter o terrorismo na Somália e faz declarações sobre as questões de África com frequência.
Os seus colaboradores directos deslocam-se ao continente berço com regularidade. Se algum africano estava esperançado em ter melhores dias por causa de Barack Obama hoje está muito mais céptico, faltam menos de cinco semanas e a luta para ocupar a Casa Branca está renhida.
quarta-feira, 19 de setembro de 2012
Angola e a Liderança de José Eduardo dos Santos
Por: Belarmino Van-Dúnem
O Presidente
da República e eleito, Engenheiro José Eduardo dos Santos, é um líder que tem
sabido dirigir o país, adaptando-se a conjuntura. As situações que se
apresentaram ao longo da sua liderança foram de adversidade, mas o seu carácter
carismático permitiu a continuidade da Nação fundada sob a inspiração dos ideais
do Primeiro Presidente da República de Angola, Dr. António Agostinho Neto.
O
primeiro constrangimento enfrentado pelo Presidente, José Eduardo dos Santos,
foi a sucessão do Presidente Neto. Sobre esse aspecto, o discurso de tomada de
posse de José Eduardo dos Santos, reflecte bem o constrangimento "não é
uma substituição fácil, nem tão pouco me parece uma substituição possível. É
apenas uma substituição necessária".
A
conjuntura interna e internacional não eram das melhores, Angola sofria a
agressão externa do regime do Apartheid, os países limítrofes eram pouco cooperantes:
o Zaire de Mobutu, o Congo Brazaville de Pascal Lissouba e a Zâmbia de Keneth
Kaunda e posteriormente de Frederick Chiluba. O ambiente era hostil e a
rebelião da UNITA parecia ganhar terreno.
Por
outro lado, a década de 80 do século passado, se caracterizou por um
abrandamento das acções directas dos protagonistas da Guerra Fria. A acção dos
EUA e da ex-URSS passou a ser de baixa intensidade e por procuração, ou seja,
incentivavam outros actores a fazer a guerra em seu nome. Dando, para esse fim,
largas somas e material bélico, assim como assessores que treinavam os
principais protagonistas da guerra.
No
trecho do discurso proferido no dia Internacional do Trabalhador, em Luanda no
ano de 1981, o Presidente José Eduardo dos Santos afirmou: " Os carcamanos
Sul-africanos, que passaram a ser nossos inimigos directos, herdaram dos
colonialistas portugueses a UNITA e transformaram-na em seu instrumento dócil
para apoiar as acções contra o nosso povo. As mesmas potências ocidentais que
ontem apoiaram o colonialismo português são as que têm maior interesses
económicos e financeiros na Namíbia e na África do Sul. De entre elas
destaca-se o imperialismo americano, que prepara planos macabros para apoiar a
África do Sul e os seus lacaios na sua política belicista de terror contra
RPA".
Os
angolanos sentiam as consequências nefastas da guerra, mas parte da solução do
conflito interno estava fora das fronteiras nacionais. A criação de uma
conjuntura externa favorável, sobretudo a nível dos países limítrofes era fundamental.
É nesse aspecto onde a visão e perspicácia do Presidente, José Eduardo dos
Santos, foi fundamental.
Os
líderes moldam a forma como é feita a política externa. A racionalidade
procedimental, baseada numa visão da política internacional, com cálculos
ponderados, fazendo a análise dos custos e do curso que os acontecimentos
podiam tomar. As alternativas foram sempre levadas em conta, desde das
parcerias locais, até a aproximação aos antigos adversários, o mais importante
era o alcance da paz e do bem-estar dos angolanos e angolanas.
O
líder carismático é aquele que consegue criar sinergias a sua volta, influência
os outros, faz com estes tenham incentivos às suas motivações e os habilita
para que os objectivos do grupo sejam atingidos com eficiência e eficácia.
Nesse aspecto não existem dúvidas que José Eduardo dos Santos teve um papel
fundamental e indelével no curso da história angolana.
A
persistência e consistência da política externa angolana levaram ao fim do
Apartheid na África do Sul e a consequente independência da Namíbia. Os países
vizinhos foram influenciados de maneira a ter uma política de boa vizinhança e
pacífica. Os EUA transformaram-se em parceiro e com eles o resto do Ocidente.
A
nível interno se ensaiou as primeiras eleições em 1992, o resultado escreveu
uma das páginas mais negras da história do povo angolano. O conflito de baixa
intensidade passou a desenrolar-se nas cidades, uma grande parte das
infra-estruturas acabou por desaparecer. O fim da guerra transformou e
centralizou todos objectivos do governo liderado por José Eduardo dos Santos.
A
conjuntura externa já não favorecia a UNITA belicista, pelo que as manobras da
guerrilha eram cada vez mais apertadas. Até que em 2002, Jonas Savimbi perdeu a
vida em combate, deixado os seus seguidores numa fragilidade incontestável.
Foi nesse aspecto onde o génio da liderança do Presidente, José Eduardo
dos Santos, veio, mais uma vez, a superfície. Ao invés de dar o golpe final,
deu a mão, quando poderia consolidar o seu poder e do MPLA, integrou os antigos
adversários nas instituições e na sociedade Angola. Trocou a tranquilidade da
ausência pela companhia da competição política
Eleições Em Angola Um Exemplo a Seguir
Por: Belarmino Van-Dúnem
O pleito eleitoral do passado dia 31 de Agosto em Angola foi um exemplo para África e o mundo. A primeira nota positiva vai para os cidadãos eleitores que demonstraram um verdadeiro sentido de harmonia e paz, não é nenhum exagero afirmar que os eleitores foram mais democratas que os políticos. O povo angolano mostrou o que vale.
A Comissão Eleitoral Nacional
também deu prova de uma organização aceitável, pondo a disposição dos eleitores
as condições para o exercício do voto. Houve quem não tivesse feito a consulta
da sua assembleia eleitoral e respectiva mesa de voto por telefone ou através
do site da CNE. Esse facto causou algum embaraço porque os eleitores em causa
andaram duas ou três assembleias eleitorais para poder votar, outros optaram
por desistir, talvez essa seja uma das razões do índice de abstenção.
A comunidade internacional que
esteve presente na qualidade de observador eleitoral, teve um bom desempenho.
Esperaram o fim do processo, depois do início do escrutínio dos votos fizeram
as respectivas declarações. Houve unanimidade, as eleições foram livres,
transparentes e justas. As falhas não constituem factos suficientes para pôr em
causa a lisura resultado.
Alias, sobre a questão das
irregularidades, devo salientar que existe um erro de interpretação entre o
termo irregularidade e fraude:
a) Quando se faz referência a
irregularidade no processo pretende-se referir aos factos que não deveriam
ocorrer, quer por força da lei ou por necessidade da viabilização normal do
processo. As irregularidades ou falhas não beneficiam nenhum dos concorrentes,
pelo contrário.
b) Relativamente a fraude,
trata-se de uma acção intencionalmente praticada com o objectivo de beneficiar
um actor específico, pondo em causa a equidade entre os pares concorrentes ao
mesmo fim. No acto eleitoral do passado dia 31 de Agosto de 2012, não se
verificaram quaisquer acções que se enquadrem nesse âmbito. Por exemplo, a
Missão de Observadores da União Africana fez referência aos cartazes de alguns
candidatos que se encontravam no perímetro das assembleias de voto. Esse facto
não pode ser considerado uma fraude porque os cartazes em causa podem pertencer
a qualquer um dos nove candidatos dos partidos e coligações de partidos
políticos que participaram nas
eleições.
Uma nota positiva vai também para o cabeça
de lista do MPLA, José Eduardo dos Santos, na primeira oportunidade que teve
para se expressar publicamente, mesmo sabendo que os seus adversários mais
directos não se tinham pronunciado, o Presidente eleito fez uma declaração
humilde e abrangente. " O próximo
governo vai implementar o programa apresentado pelo MPLA durante a campanha".
"Vamos governar para todos os
angolanos". Foi mais longe, agradeceu o civismo e a forma como os
angolanos exerceram o seu direito de voto.
O Presidente eleito, José Eduardo dos Santos,
pode ser considerado o grande vencedor dessas eleições porque chamou a si o
eleitorado e conseguiu um resultado que muitos se mostravam cépticos.
Na fotografia das eleições estão mal no
postal, o segundo e terceiro classificados. O Presidente da UNITA, Isaias
Samakuva, preferiu tocar o piano na nota mais fácil, cantando a canção com o
refrão da fraude. O resultado obtido pela UNITA supera o de 2008 e face a
fragmentação do partido é muito bom. Há uma espécie de renascimento da UNITA,
mas no seio desse partido parece existir uma amnésia propositada. Até agora não
há nenhuma declaração de agradecimento ao povo angolano, muito menos os cordiais
parabéns ao vencedor, tal como mandam as boas maneiras.
O terceiro posicionado, Abel Chivukuvuku,
Presidente da Coligação CASA-CE, também está mal na foto das eleições de 2012.
Apesar de estar a frente de uma coligação cuja existência oficial pode ser
considerada relâmpago, Chivukuvuku não se contenta com o terceiro lugar e
prefere acompanhar a canção da fraude tocando a sanfona a favor do seu
detractor Isaias Samakuva.
A pergunta que se coloca é a seguinte: será
que o Presidente Chivukuvuku não quer calçar uma bota maior que o seu pé? A
coligação por ele liderada só surgiu porque na UNITA não houve espaço para os
seus intentos! Ao conseguir a terceira posição, no contexto em que concorreu,
deveria ser o primeiro a agradecer o povo angolano e dar segurança aos que
votaram nele e no seu projecto, garantindo que irá trabalhar no Parlamento para
uma Angola melhor.
Os mais cépticos com direito a destaque nos
medias, também estão mal na fotografia! Esperavam que os elementos do grupo
coral da fraude fosse constituído pela comunidade internacional, mas os
observadores internacionais notaram que aquela orquestra estava fora da nota
ideal face aos factos.
O que vi, foi de bradar os céus, enquanto os
estrangeiros elogiavam, alguns angolanos se insurgiam, chegando ao ponto de
acusar a comunidade internacional de cúmplices da derrota dos partidos
políticos e coligações de partidos políticos da sua simpatia. Tal como na maior
parte dos pleitos africanos, o processo só seria justo, livre e transparentes
se vencesse a oposição.
Vai também uma nota positiva para televisão
Publica de Angola (TPA), Rádio Nacional de Angola (RNA), Jornal de Angola e o
site "Club K" que passaram todas as informações em tempo real, o
mesmo aconteceu com órgãos de comunicação privados, Rádios e televisão, portanto
os actores não concorrentes tiveram bem na foto, mas os pretendentes ao poder
preferiram ficar fora da moda nacional. Até parece como aqueles que vão
assistir as corridas de fórmula 1, mas independentemente de quem saia vencedor,
nunca ficam satisfeitos quando não presenciam um acidente aparatoso, de
preferência com mortos e feridos.
As eleições foram um sucesso e saiu vencedor
o partido e o cabeça de lista que melhor trabalharam na campanha eleitoral,
povo premiou a certeza. Podemos afirmar que este processo eleitoral foi um
exemplo para África e o mundo.
sábado, 25 de agosto de 2012
FORÇAS ARMADAS ANGOLANAS
ANGOLA - FORÇAS ARMADAS
ANGOLANAS
Um Exemplo de Prontidão e Disciplina
Por. Belarmino Van-Dúnem
O Acordo assinado entre as
autoridades angolanas e da Guiné-Bissau em Setembro de 2010, com maior
abrangência no Sector da Defesa e Segurança, deu início da primeira missão
externa das Forças Armadas Angolanas (FAA) depois do alcance definitivo da paz.
As expectativas estavam divididas, alguns se mostraram cépticos e achavam que
as FAA não estavam em condições de cumprir com mais essa tarefa fora das
fronteiras nacionais.
A verdade é que as FAA
conseguiram dar exemplo de disciplina e prontidão. Não é nenhum exagero afirmar
que Angola mostrou ao continente africano e não só que é possível existir a
cooperação Sul/Sul entre africanos. A MISSANG colocou as Forças Armadas Angolanas
na rota da cooperação internacional e, pela primeira vez, uma missão do género
é efectuada por um exército africano com base num acordo bilateral.
O Acordo
de cooperação no domínio da Defesa e Segurança, envolvendo a formação militar,
apoio logístico, engenharia militar e intercâmbio entre as forças armadas dos
dois países, foi muito mais do isso, Angola prestou todo apoio a televisão e
rádio publicas da Guiné-Bissau que passaram depois de longos anos sem sinal.
Por outro lado, o Estado angolano aprovou uma linha de crédito para a
Guiné-Bissau e já se estava a estender a cooperação bilateral para
outros sectores.
O ensaio de uma cooperação
abrangente entre dois actores africanos, embora tenha terminado de forma
prematura, mostrou que no futuro a cooperações intra-africana tem será possível.
Mas provou também que ainda existe muita falta de maturidade por parte de
alguns Estados africanos. Os líderes africanos ainda vêem os países da sua
região geopolítica como feudos, atropelando os cânones do direito
internacional, segundo o qual, todo Estado tem o direito de firmar acordos
bilaterais em benefício do seu próprio povo.
Por outro lado, as Forças Armadas
Guineenses foram as que estiveram muito mal na fotografia. No dia 12 de Abril
de 2012, o Chefe do Estado-Maior das Forças Armadas da Guiné-Bissau, António
Indjai, depois de ter se desentendido com o Primeiro-Ministro deposto e
vencedor da primeira volta das eleições presidenciais, Carlos Gomes, veio a
público acusar aqueles que o estavam a ajudar na espinhosa tarefa de reformar
as Forças Armadas sob seu comando.
Numa justificação arrojada,
afirmou que as FAA perigavam a continuidade do exército guineense. Não se
entende como é que o General Indjai só se lembrou que o exército da Guiné-Bissau,
na sua situação actual, teria fim praticamente um ano depois do início da
MISSANG. O exército da Guiné-Bissau pode ser classificado como mais
indisciplinado do continente africano. Os problemas no seio das Forças Armadas
da Guiné-Bissau vão da base ao topo. A desorganização e indisciplina dos
militares guineenses acabam por afectar o poder civil.
O exército da Guiné-Bissau sacrifica
os seus próprios comandantes. Os Chefes de Estado também não passam incólumes,
desde Luís Cabral, passando por Nino Viera, até Kumba Yala todos sofreram
golpes de Estado. O Presidente interino, Raimundo Pereira também foi obrigado a
abandonar o palácio de Bissau, apesar dos limitados poderes que a constituição
da Guiné-Bissau lhe oferece.
A falta de coerência e de sentido
de Estado do exército da Guiné-Bissau foi tal que ignoraram a presença de uma
força estrangeira no seu território. Os acontecimentos do dia 12 de Abril
tiveram um impacte negativo para a Guiné-Bissau, mas provaram também que os
africanos sabem cumprir com o Direito Internacional.
As FAA deram um exemplo
irrepreensível ao não se imiscuírem nos assuntos internos da Guiné-Bissau, mas
também é assinalável a forma digna como se comportaram perante aquela situação
tão melindrosa, onde qualquer descuido poderia resultar numa tragédia. Alias, O
Chefe do Estado-Maior da Guiné-Bissau, António Indjai, através do seu
porta-voz, capitão Daba Na Walna, fez várias declarações que poderiam ser
entendidas como provocatórias, mas a frieza castrense das FAA foram essenciais
para o desfecho bem sucedido com retirada total do efectivo angolano da
Guiné-Bissau.
O reconhecimento pelo
profissionalismo do exército angolano é tal que o Comandante das Forças da
CEDEAO já expressou a sua admiração aos militares angolanos.
As Forças Armadas Angolanas foram
para a Guiné-Bissau em missão de Estado, durante a sua estadia os objectivos
estavam a ser alcançados. Por ordem do Comandante em Chefe foi solicitada a sua
retirada, já cá estão depois de cumpridos todos os procedimentos políticos. As
FAA deram um grande exemplo, todos testemunhamos o trabalho do Presidente José
Eduardo dos Santos, dos Ministros da Defesa e da Relações Exteriores, mas
ninguém viu ou ouviu os efectivos angolanos a fazer declarações. Ao contrário,
do outro lado, só os militares falavam, chegando mesmo a desempenhar o papel
mais preponderante no processo. Os angolanos devem ter orgulho do exército que
têm.
ANGOLA: OS QUINZE DIAS DE CAMPANHA ELEITORAL
ANGOLA: OS QUINZE DIAS DE
CAMPANHA ELEITORAL
Por: Belarmino Van-Dúnem
Os
processos eleitorais são momentos marcantes para os cidadãos de qualquer país.
Tudo começa com o registo e actualização dos eleitorais com capacidade de voto,
procurando garantir que todos os cidadãos nacionais estejam em condições de
exercer o direito de eleger e serem eleitos. Tanto para a Assembleia Nacional
como para o exercício da mais alta magistratura da Nação, a Presidência da
República.
Relativa
a actualização e o registo dos eleitores, o processo em Angola foi exemplar. Houve
abrangência, flexibilidade e adaptação a realidade nacional. Não existiram
exclusões, o processo teve duas fases, os agentes da Comissão Nacional
Eleitoral foram ao encontro dos eleitores e só não registou-se quem não quis ou
por razões pessoais de força maior.
O
Tribunal Constitucional tem a responsabilidade de apurar se os partidos
políticos e coligações de partidos políticos candidatos as eleições reúnem os
requisitos exigidos por lei. Sob esse aspecto também houve um trabalho
exemplar. No tempo estipulado pela lei, os 29 partidos e coligações que
submeteram os respectivos processos ficaram a saber que só 9 conseguiram reunir
as condições para concorrer nas eleições de 2012.
O
pleito eleitoral do próximo dia 31 de Agosto permitirá aos angolanos eleger os
deputados a Assembleia Nacional, o Presidente da República e o Vice-Presidente,
o cabeça de lista e o número dois dos partidos e coligações de partidos
apurados pelo Tribunal Constitucional.
No
princípio do mês de Agosto, as expectativas foram muitas, por parte dos
cidadãos nacionais e da comunidade internacional de forma geral. Tendo em conta
a experiência de 2008, qual seria o desempenho dos partidos políticos e das
coligações durante o período reservado a campanha eleitoral.
Na
verdade, depois de quinze dias, as movimentações são comedidas. As propostas
alternativas não existem e todos os partidos e coligações têm optado por
centrar a sua campanha com criticas ao MPLA, esquecendo de apresentar as suas
próprias politicas para o país. Esse facto só pode ser interpretado de duas
formas, ou não têm propostas novas ou existe uma dificuldade em apresenta-las
ao público.
Os
programas não têm chegado ao eleitor. Os tempos de antena na comunicação social
estão ser mal aproveitados, não há criatividade e as mensagens têm sido pouco
apelativas, para não falar de alguns partidos e coligações que passam os cinco
minutos que lhes é de direito por força da lei com música, seguida com um
discurso monótono do cabeça de lista.
Os
cartazes apelando ao voto no partido ou coligação também vão aparecendo a conta
gota. Mas existe uma certeza, os cidadãos angolanos com capacidade de voto irão
ocorrer às assembleias de voto para eleger os dirigentes que melhor garantem a
continuidade do desenvolvimento actual com o compromisso de melhorar o que já
foi feito.
Faltam
menos de quinze dias para o “dia D”, mas a maior parte dos partidos e
coligações ainda se encontra na letargia a espera de inspiração, alguns já se
resignaram e pedem ao eleitor apenas uma presença no parlamento. O vértice da
decisão está no povo que sabe o que é melhor para si. Como diz o velho ditado
“a voz do povo é a voz de deus”!
terça-feira, 24 de julho de 2012
NOVA PRESIDENTE DA UNIÃO AFRICANA
NOVA PRESIDENTE DA
UNIÃO AFRICANA
Por. Belarmino Van-Dúnem
A Cimeira dos Chefes de Estado e
de Governo que decorreu no mês de Janeiro de 2012, deixou o continente na
expectativa relativamente a presidência da Comissão da União Africana. O então
presidente, Jean Ping, com a nacionalidade gabonesa a muito que era alvo de
criticas cerradas em alguns círculos, relativamente a sua tendência
pro-ocidental. Por outro lado, durante o mandato de Jean Ping, o continente
teve um conjunto de retrocessos no que concerne ao pan-africanismo (os
africanos no centro da resolução dos problemas do continente).
A forma como a organização geriu
a situação da Costa do Marfim, as convulsões nos países da África do Norte, na
Guiné-Bissau, a actual situação no Mali, o diferendo entre o Sudão do Sul e a
República Islâmica do Sudão, o recrudescer do conflito no Norte do Kivu na RDC
e a já crónica situação da Somália deixaram muito a desejar.
Desde a cinco anos para cá, o
continente africano também não conheceu grandes avanços a nível económico. As
Organizações Económicas Regionais continuam a gerir os memos dossiers e, a
nível da Força Africana em Stand by todos os exercícios regionais foram
realizados, mas até a data não se conhece nenhuma acção concreta.
A candidatura da Ministra do
Interior da África do Sul, Nkosazana Dlamini Zuma, é vista como uma reviravolta
na gestão dos problemas do continente africano.
1. Pela Primeira vez uma Senhora
é eleita para um cargo do género em África;
2. Um dos países directores do
continente chega a presidência da organização, até a data os maiores
contribuintes não se candidatavam para esse tipo de cargos, tal como acontece
nas Nações Unidas, onde nenhum dos cinco membros do Conselho de Segurança se
candidata ao cargo de Secretário-geral.
3. O formalismo do não
afrontamento diplomático caiu por terra. Tanto o Gabão como a África do Sul
levaram a contenda até ao fim, pondo em acção os seus parceiros dentro e fora
do continente. A disputa foi renhida, mas desta vez a candidata da África do
Sul conseguiu o voto de 37 delegações, mais três votos do que o necessário para
atingir a maioria de dois terços.
A nova gestora da União Africana
tem experiencia, já foi Ministra da Saúde durante a presidência de Nelson
Mandela, tendo feito a primeira denúncia contra a gravidade da epidemia do
HIV/SIDA na África do Sul. Enfrentou o poder das farmacêuticas relativamente ao
acesso aos antiretrovirais genéricos.
O Presidente Thabo Mbeki
confiou-lhe a pasta das Relações Exteriores. Enquanto Ministra das Relações
Exteriores consolidou a presença da África do Sul pelo mundo. O país foi o
primeiro Presidente da União Africana em 2000, trouxe o primeiro mundial para
África e esteve na base da criação da NEPAD.
O actual Presidente da África do
Sul, Jocob Zoma, atribui-lhe a pasta do Interior onde, segundo consta, colocou
ordem no Ministério. Conhecida como “Dama de Ferro” pelos seus compatriotas,
Dlamini-Zuma não terá uma tarefa fácil, tendo em conta os dossiers actuais no
continente. Mas o pragmatismo que lhe é característico e a vasta experiência
que tem nessas lides deixam boas esperanças ao continente.
Não se pode deixar de mencionar o
trabalho da África Austral, SADC, para a concretização da eleição da Dlamini
Zuma. A SADC teve Angola na frente diplomática. Enquanto presidente em
exercício da SADC, Angola desdobrou-se em contactos bi e multilaterais,
portanto essa é também uma vitoria diplomática para os Angolanos e todos os
cidadãos da África Austral que vêem, pela primeira vez, um presidente da União
África a sair da região.
Neste momento é esperar para ver,
como afirmou o Presidente do Beni, Thomas Boni Yayi, Presidente em exercício da
União Africana, não há vencidos e vencedores, África ganhou. O próprio Jean
Ping teve uma grande atitude. Reconheceu a derrota e disponibilizou-se para
trabalhar com a nova Presidente da Comissão da União África.
domingo, 3 de junho de 2012
CHINA MAIOR PARCEIRO ECONÓMICO DE ÁFRICA
CHINA MAIOR
PARCEIRO ECONÓMICO DE ÁFRICA
PANAFRICA-CHINISMO:
Por: Belarmino Van-Dúnem
Não é novidade para ninguém que a China se transformou no
maior parceiro financeiro e económico dos Estados africanos. Mas devo
acrescentar que a China também é melhor parceiro para o desenvolvimento para a
maior parte dos Estados africanos.
A política externa económica chinesa tem merecido várias
críticas, mas os que criticam também recorrem à China para viabilizar as suas
economias. Os países da Europa Ocidental e os EUA abdicaram da produção em
serie (fordismo) e adoptaram a
produção descentralizada com um pendor globalístico. A protecção das suas
patentes faz com que os produtos continuem a ser comercializados como marcas
nacionais, mas na verdade tudo é feito na China e/ou na Ásia.
Os chineses têm a mão nas maiores construções do mundo,
tanto nos EUA como na América Latina. A China é o maior país do mundo em
desenvolvimento e o continente africano é o que possui o maior número de países
em desenvolvimento. A China tem capital financeiro e humano, por outro lado,
está predisposta a abrir os “cordões da
bolsa” para injectar “dinheiro vivo”
em qualquer economia do globo, portanto, quem quer efectivar os seus projectos
de desenvolvimento vai à China.
Os grupos que criticam os moldes como a China tem
desenvolvimento a sua cooperação com os países africanos tiveram oportunidade
para fazerem ou orientarem o desenvolvimento dos Estados africanos. As ex-colónias
foram abandonadas à sua sorte, mesmo depois das independências as antigas
potências colonizadoras continuaram a fomentar o caos, apoiando grupos
rebeldes, dando-lhes o estatuto de beligerantes. Estamos no século XXI e ainda
existem países que traçam as suas políticas externas com pressupostos interventivos,
pondo em causa o que de mais básico do ordenamento jurídico internacional.
No interregno de uma década e meia a China transformou-se no
maior parceiro dos países africanos e transformou a paisagem urbana e não só
dos países africanos. Desde os caminhos-de-ferro, passando pelas estradas,
hospitais, habitação, edifícios administrativos, electrificação, canalização de
água potável, escolas, produção de alimentos, parcerias publico ou privadas
para a exportação de matéria-prima e formação de técnicos nas mais diversas
áreas e transporte de tecnologia.
O intercâmbio
político e cultural também tem sido real. O povo vai à China, já lá se foram os
tempos em que as “muambeiras” compravam nos armazéns. Os chineses cumprem
prazos, honram a sua palavra quando prometem verbas e mais, em condições de
reembolso que nem o FMI, Banco Mundial, a OMC e muito menos os parceiros
ocidentais se mostram disponíveis a disponibilizar. Alias, os países ocidentais
têm vindo ao continente africano partilhar os gastos através das suas empresas
e cidadãos.
Segundo o Documento de reflexão da Embaixada chinesa em
Angola, publicado em Fevereiro de 2012, o investimento chinês em África
calcula-se em mais de 40 mil milhões de dólares e cerca de 14,7 mil milhões de
dólares são investimentos directos. O número de empresas chinesas em África já
ultrapassa as 2 mil.
O mesmo Documento informa ainda que as trocas comerciais
passaram de 129,5 mil milhões em 2010 para 160 mil milhões em 2011, o que faz
da China o maior parceiro comercial do continente africano.
As oportunidades que a China está a proporcionar ao
continente africano marcará todo o século XXI, mas os menos atentos poderão
pensar que a China é o maior parceiro comercial só do continente africano, mas
até Janeiro de 2012, a China foi o maior parceiro comercial do Brasil, um país
emergente que alguns já a têm como a futura potencia mundial.
O continente africano tem se desenvolvido aos olhos de todos
e a China é responsável por essa transformação positiva. A filosofia da
cooperação chinesa com base na reciprocidade deve ser incentivada e preservada.
Os Estados africanos devem encarar o desafio de gerir essa cooperação com uma
visão futurista já que a China está presente em todos os sectores, pode-se
afirmar que há uma espécie de “panafrica-chinismo”.
quinta-feira, 31 de maio de 2012
Kuduro Enquanto Marca
Por: Belarmino Van-Dúnem
O estilo musical Kuduro já entrou
no cardápio musical de Angola. Na década de 90, embora já se fazia ouvir nas
noites africanas, esse estilo musical não tinha a dimensão internacional que
assistimos hoje.
A primeira polémica no que refere
à autoria do estilo foi protagonizada entre o artista Sebem e o Rei Hélder.
Tudo começou com a música “Felicidade”, que “Rei Hélder” teria plagiado sem
respeitar os direitos autorais. O erro foi reconhecido pelo “Rei Hélder” que
acabou por gravar um CD com Sebem que, em abono da verdade, não fez tanto
sucesso, “bateu na rocha” como dizem agora.
O que as pessoas não tinham muito
conhecimento é que a personagem principal do Kuduro é o artista Tony Amado que
terá iniciado o estilo, segundo o mesmo, o nome de Kuduro está relacionado com
a dança praticada por ele na altura. Pondo as polémicas de parte, o Kuduro se
internacionalizou e vários foram os artistas que deram o seu contributo.
No início da década de 2000
começou a surgir, nas periferias de Luanda, vários grupos que, se foram
afirmando no mercado nacional e internacional e existem questões que preocupam
no Kuduro:
1. Sem desprimor nenhum, preocupa
o facto das rivalidades se transformarem em violência, sobretudo com a expansão
da ideia de “Gang” em que se destaca o grupo “Os Lambas” cujo líder do grupo
“Nagrelha” se auto-denomina como chefe do Estado-maior do Kuduro. Os Lambas
gritam ao microfone que são “os demónios do Sambizanga”. As pessoas respondem
com gritos e apupos, os jovens entrem em transe, incentivando o artista Nagrelha
nos seus pronunciamentos pouco sociáveis, como por exemplo “quando o tiro não
vos mata, eu chego aqui para matar”. Pode ser simbólico, mas, assim é bom?
Claro que não!
2. Outro assunto que preocupa no
Kuduro é a letra das músicas. Não se pode negar que houve uma evolução na
métrica e nas rimas, mesmo no ritmo do Kuduro na última década. Mas o conteúdo
da maior parte das letras é bastante pobre e, em alguns casos, ofensivo ao
decoro social. Embora devamos reconhecer várias mensagens positivas nas letras
de “Dog Murras”, “Lambas”, “Puto Lilás”, “Os Kalunga Mata” “Puto Prata”, “Pai
Banana”, “Agre G” e outros putos que fazem sucesso no kuduro. Sem deixar de
criticar as rimas forçadas e os chamados “bifes”.
3. O surgimento de artistas do
sexo feminino é um fenómeno positivo. Mas as letras não têm se distanciado
muito dos chamados “bifes” entre umas e outras. Noite e Dia, Fofando, Própria
Lixa, Gata Agressiva, passando pela Titica que foi considerada (o) pelo Jornal
o País como personalidade do ano 2011, a indumentária caracteriza-se pelo
colorido e pelo pansexualismo.
4. Os estilos de dança também têm
provocado algum burburinho entre os mais conservadores. Há alguns anos, a dança
era Kuduro, agora o estilo da dança que acompanha a musica Kuduro também tem
nome. A que mais polémica suscitou foi a dança “Du Cambua”, cujos movimentos
poucos se atrevam a executar em pleno gozo do seu juízo, não seria nenhum exagero
afirmar que a dança “Du Cambua” é pouco familiar. Ninguém se sente muito
confortável quando a sua filha ou esposa toma a iniciativa de dar “du cambua”.
Os “toques” actuais do kuduro corrompem
qualquer estigma moral de outros tempos, tenho a certeza que os nossos netos
irão perguntar se dançamos “du cambua”.
5. Existe pouco controlo do uso
da patente “Kuduro” fora do território angolano. Não deixa de ser preocupante
que a maior parte das pessoas que se dedica aos assuntos da cultura nacional
fique passivo quando se assiste a perversão de algo que é nacional. Há uma
percepção errada em assumir que todo o estilo musical cuja letra se refira ao
Kuduro pertença a esse estilo.
6. O artista Lecenzo, num duo com
Dom Omar, interpretou a musica “Danza Kuduro” com um ritmo latino, por outro
lado, o artista português José Malhoa também interpretou “Morena Kuduro”.
Embora eu não tenham muitos elementos para avaliar a essência do Kuduro, me
parece que, de Kuduro aquelas musicas só têm o refrão que evoca o “Kuduro”. Mas
a rítmica não se assemelha nada ao Kuduro que tanto furor faz actualmente em
Angola. No entanto, o artista Sebem, no programa “Sempre a Subir” da TPA,
afirmou que aquelas músicas também faziam parte do estilo Kuduro.
Alias um a parte, agora o programa
“Sempre a Subir”, é apresentado por dois artistas “Presidente Gasolina” e “Ouro
Negro” cuja linguagem é imperceptível. Por não se tratar de nenhuma língua
nacional, nem ser característico de nenhuma região penso que não há necessidade
de promover aquele tipo de pronunciamento e/ou linguajar.
Neste momento em que a sociedade
angolana começa a se estruturar, há necessidade de criar ídolos nacionais que
possam concretizar a móbiles político nacional. O Kuduro é um dos factores que
apresentam Angola no exterior, posso afirmar que Angola “está a bater pelo
kuduro” e podemos ter duas atitudes: aproveitar ou fingir que não estamos a ver.
É necessário chamar a atenção dos
teóricos da cultura sobre a urgência em normatizar o kuduro enquanto património
nacional. O blues, Jazz, Rock and Roll, hip hop e mesmo o Fado português são
estilos que nasceram nos subúrbios, mas hoje fazem parte do património
cultural, tanto dos Estados Unidos da América como de Portugal.
Na actualidade não há festa
angolana sem kuduro. Este estilo musical tem versões nas principais línguas
internacionais, inglês, francês e espanhol. Para além de ser interpretada em
Português, já começa a ser usual ouvir kuduro em línguas nacionais. Portanto, o
Kuduro enquanto marca angolana faz parte do património nacional. Há necessidade
de padronizar esse estilo musical, procurando eleva-lo a patamares que possam
contribuir para dignificação da cultura nacional, tal fez Amália Rodrigues
relativamente ao Fado ou Louis Amstrong com relação ao Jazz. Não estranho ver
por ai, pessoas a darem “du cambua”, sobretudo depois de algum estímulo em
liquido na calada da noite, então nos preocupemos com a marca kuduro, quer na
sua qualidade ou na sua preservação.
sábado, 26 de maio de 2012
O ESTADO DAS UNIVERISDADES
Por: Belarmino Van-Dúnem
O número de instituições universitárias
não para crescer em Angola. O sistema
de ensino superior foi expandido para as 18 províncias. Tanto com instituições
públicas como privadas. Claro que esses números não seriam significantivos se
não estivéssemos a falar de um país que há dez anos atrás tinha apenas duas ou
três instituições de ensino superior. Portanto a estratégia de expansão do
ensino superior e da universidade em Angola tem sido bem sucedida.
Mas a fundação da Universidade abre caminho para um legue complexo de
interrogações que dificilmente encontramos resposta. Há uma diferença clara
entre o ensino superior e a Universidade, embora na maior parte dos casos essa
diferença não sobressaía por défice das instituições universitárias.
O ensino superior está acima de todos outros tipos ou formas de ensino.
Não existe nenhum outro ensino que o super o ensino superior, porque o seu
saber advêm de si próprio. Embora a característica principal do ensino superior
seja a sua profissionalização, ou seja, o indivíduo fica habilitado a exercer
superiormente a profissão da área ou sector que frequentou.
O ensino universitário diferencia-se do ensino superior porque na sua
essência está a investigação. A investigação está presente em qualquer área de
formação do ensino universitário. Enquanto o ensino superior tem uma relação íntima
com o mercado, porque a finalidade essencial é o de fornecer quadros capazes de
desempenhar as suas funções cabalmente.
O ensino universitário ensina-se fazendo, é um conhecimento em constante
mutação, em construção. Os Docentes da universidade apresentam às suas áreas do
saber com todas as insuficiências e dúvidas que a mesma acarreta. A
investigação na universidade é livre, interrogativa e metódica sem compromissos
com os dogmas reinantes. A diferença entre a investigação universitária e
outros tipos de investigação, como a industrial ou a militar, é que ela não é
secreta, está aberta à sociedade e a sua execução encerra também o erro, errar
é normal e até pode-se afirmar a sua execução não depende do sucesso ou
fracasso final.
A universidade também conserva o saber, os traços de uma determinada
cultura, as características mais imperceptíveis de uma sociedade, não pela
utilidade prática, mas pelo facto de constituírem parte do património da
humanidade e como tal deve ser preservado. Neste sentido a epistemologia, a
estética, a antropologia e, em fim, a filosofia são disciplinas fundamentais do
ensino universitário. Portanto, o ensino universitário é reflexo e
interrogativo. Na universidade não existem verdades absolutas e acabadas, tudo
e todos são questionados. Os paradigmas existentes são questionados e
repensados.
A excelência da Universidade está na produção de saberes novos, na
indagação dos saberes existentes e na proposta para novas vias do saber.
As universidades angolanas devem interrogar as suas próprias culturas, as
relações existentes com a cultura ocidental e não só, propondo novas formas
para preservar saberes que não ingressariam noutras instituições. Sem desprimor
da universidade produzir também saberes com utilidade prática ou imediata para
a sociedade. Por outro lado, a universidade é a única instituição onde a
critica está institucionalizada. Na universidade a critica é sempre bem-vinda,
é protegida e incentivada, todos têm o direito a perguntar (porquê?), mas
igualmente o dever de responder!
Os universitários não são ensinados, estudam, na universidade o verbo reconhecer é constante porque parte-se
do princípio que o discente já conhece. Na universidade a liberdade de
pensamento e a ousadia de fazer indagações são constantemente e solicitadas.
Na actualidade a universidade, na maior parte dos casos, transformou-se
num centro de reprodução de saberes, constituem um pronto a servir. As
universidades estão presas aos interesses capitalistas, estão transformadas em
meios de produção e reprodução de capital. O mercantilismo do conhecimento
ganhou corpo efectivo e a relação é feita entre os Professores que desempenham
o papel de operários e têm apenas a sua força de trabalho (conhecimento) e os
instituidores das universidade que têm o capital (dinheiro) por isso, ditam as
regras, inclusive no ramo do saber ou nos processos para a sua administração.
Esta relação faz com que as
universidades deixem de cumprir com as suas finalidades, claro que é uma
realidade que afecta, inclusive algumas universidades públicas.
Os Professores transformaram-se em reféns dos alunos, são tutelados não
pelo seu saber e desempenho, mas pelo seu cumprimentos aos cânones rígidos e
unilaterais impostos pelo patronato. A interrogação e mal vista, constitui uma
transgressão punível, só a submissão e a aceitação são vistas como salutares.
Ninguém ousa pensar ou interrogar.
Há necessidade de refundarmos o conceito de universidade e encaminha-la
para a sua essência, “ANÁLISE E PRODUÇÃO
DE NOVOS SABERES”. Claro que escrevi estas linhas possuído pelo chamado
dilema de Maquiavel: “Aqueles que ousam apresentar
novas ideias correm dois ricos: Primeiro, a ignorância dos beneficiários;
Segundo, a resistência tenaz daqueles que não querem a mudança”.
terça-feira, 8 de maio de 2012
ÁFRICA RETOMARÁ A SUA DINÁMICA SEM SARKOZY?
Por: Belarmino Van-Dúnem
A primeira volta das eleições
presidências em França confirmaram as sondagens: “os franceses estão
desiludidos com o seu presidente Nicolas Sarkozy. Ao contrário do que aconteceu
em 2007 em que obteve 31,18 por cento dos votos, desta vez, Sarkozy teve que
contentar-se com 27,18 por cento dos votos contra os 28,63 por cento do
socialista François Hollande que acabou por vencer a primeira volta. Já na
segunda volta foi derrotado por 51,8 por cento dos votos contra 48,4 por cento
dos votos.
Nicolas Sarkozy inverteu a
pirâmide das prioridades eleitorais ao dedicar-se mais às questões externas do
que a resolver os problemas sociais que persistem em fazer parte da paisagem
social francesa. Se é verdade que os africanos não esperavam muito de um
candidato saído da União por um Movimento Popular (UMP), o mesmo não se pode
afirmar dos franceses que ficaram esperançados em ter dias melhores. Mas na
verdade, o que mais marcou os franceses durante a presidência de Sarkozy foi o
aumento da idade da reforma de 60 para 62 anos de idade como afirma um analista
francês, concluindo que os franceses devem trabalhar mais e receber o mesmo
salário.
O Presidente francês cessante acumulou
desgostos atrás de desgostos para os franceses, desde dos assuntos pessoais,
como casar com uma modelo que, segundo a imprensa cor-de-rosa, não havia três
meses de conhecimento mútuo, até a utilização de expressões pouco sociais para
um Presidente do país da elegância nas palavras e na postura (dirigiu-se aos
ciganos com palavras obscenas e chamou os jovens descendentes de imigrantes de
escumalhas, prometendo faze-los desaparecer das ruas). Apesar de ter um
discurso nacionalista, o líder da UMP não conseguiu melhorar os índices de
desemprego, limitar a imigração ilegal ou mesmo fazer baixar os índices de
criminalidade, no campo Europeu tem ido a reboque da Alemanha.
A impopularidade de Nicolas
Sarkozy internamente, não é a mesma no campo externo! O Presidente francês
acumulou vitórias atrás de vitórias, onde colocou a mão conseguiu os seus
intentos, seja para o bem ou para o mal. No ano de 2008, enquanto presidente da
União Europeia, liderou uma intervenção militar na Geórgia, acção efectuada
contra a vontade de outros líderes da Organização do Atlântico Norte (OTAN),
inclusive os EUA, mas devo reconhecer que Sarkozy colocou fim ao conflito,
fazendo guerra como é claro.
Na Cimeira de Lisboa de 2010,
Sarkozy anunciou o retorno da França à estrutura militar da OTAN e foi nessa
condição que não se coibiu de liderar a intervenção contra a Líbia de Kadafi.
Tendo sido o primeiro a reconhecer os rebeldes do CNT, forneceu armamento e
autorizou a participação do exército francês nos confrontos, mais uma vez a
intervenção atingiu os objectivos. o Presidente Kadafi foi deposto e morto, a
Líbia se transformou num “far west”.
Mas a intervenção francesa em
África não ficou por ai, durante a crise na Costa do Marfim, Sarkozy mostrou a
sua pré-disposição para intervenções militares. Não havendo possibilidades de
convencer Gbagbo de que havia perdido as eleições porque o mesmo alegava que
preferia inclusive a recontagem dos votos, a opção de Paris foi a confrontação.
Actualmente Alassame Quattara é o
Presidente e Laurent Gbagbo está em Haia no TPI sob acusação de crimes de
guerra e contra a humanidade. A proactividade de Sarkozy em África levou o ex-presidente
senegalês Abdulai Wade a fazer uma rotura com o pan-africanismo. Wade traiu o
seu próprio pensamento e apoiou o Conselho Nacional de Transição (CNT) da
Líbia, deixando a União Africana e todos os seus homólogos pasmados sem
entender bem o que se passava. A França apareceu também numa polémica de fraude
nas eleições presidenciais que levaram o actual Presidente Ali Bongo ao poder
no Gabão. Segundo as informações, personalidades chegadas ao Eliseu (Palácio
Presidencial de França) teveram uma mão
visível no desenrolar do dossier. No Reino de Marrocos decorreu um inquérito
para apurar uma declaração do ex-ministro da Educação francês entre 2002 e
2004, que denunciava algumas personalidades do Governo francês que,
supostamente, deslocavam-se ao Marrocos para praticas pedófilas.
As polémicas não param por aqui,
em plena campanha apareceram documentos confirmando que Nicolas Sarkozy recebeu
doações de lideres francófonos para a sua campanha de 2007, alias as caritas
para a UMP saíram até da Líbia.
Nos bastidores da política
internacional fala-se, a boca pequena,
do envolvimento da França na instabilidade vivida no Mali e na Guiné-Bissau.
Embora não seja segredo que o armamento fornecido aos rebeldes para derrubar o
regime de Kadafi estão na base do poder militar que os Tuaregues do Movimento
Nacional de Libertação de Azawad (MNLA) têm, o que permitiu a ocupação da parte
norte do Mali. Assim como do aumento da instabilidade na Argélia, no Níger, na
Mauritânia, na Nigéria, no Burquina-Faso, assim como naquela região toda.
Apesar deste retorno da França às
acções externas, Sarkozy faz uma campanha com o discurso roubado a
extrema-direita, prometendo diminuir a imigração, limitando a integração,
fazendo uma colagem entre os imigrantes e o aumento da criminalidade.
O seu adversário foi mais
moderado e simpático, num dos vários comícios que assiste em directo a quando
da passagem de François Holland por Marselha, este distribuía abraços e beijos,
é verdade, beijos até aos homens, parece que é normal lá no sul de França e, em
campanha não faz mal mesmo. O discurso é menos Europa, mais França, integração
para imigrantes, mais segurança e mais emprego. Um apelo a França social, com
mais igualdade, mais fraternidade, evitando que os endinheirados continuem a engordar
e os trabalhadores a aumentar as suas dividas.
No dia 6 de Maio de 2012, os
eleitores franceses concretizaram o desejoso expresso na primeira volta de ver
o Presidente Sarkozy fora do Eliseu. Nós, por cá no continente africano,
agradecemos porque o sonho de uma África independente, sem intervencionismos
tem sido adiado. Como Nicolas Sarkozy, talvez o continente retome as suas
dinâmicas internas iniciadas em 2000 com a refundação da OUA, passado para
União Africana.
segunda-feira, 30 de abril de 2012
GUINE-BISSAU UM PAÍS ADIADO
Por: Belarmino Van-Dúnem
Os últimos acontecimentos na Guiné-Bissau deixaram tudo e
todos com o sentimento de que aquele país não terá viabilidade enquanto se
manter o actual sistema de relacionamento do poder político com Forças Armadas.
Os militares vão passando despercebidos até que tomem a decisão de pôr fim a
qualquer governo legitimamente instituído. Mas o que agrava a situação é o
facto dos mentores desses golpes constantes contra a República ficarem
incólumes e como se não bastasse, recebem incentivos com promoções e
notoriedade internacional.
A história tem vindo a se repetir: Nino Vieira foi o primeiro a perpetrar um
golpe militar e manteve-se como Presidente da República; Ansumane Mané, também
primou pela mesma via, tendo se afirmando como Comandante em Chefe, cargo
constitucionalmente reservado ao Presidente da República. Acabou por ser morto
em combate contra as suas próprias tropas; Kumba Yala, sofreu um golpe de
Estado branco, os militares deslocaram-se até a residência do Presidente e
convidaram-lhe a deixar o poder, solicitação que foi acatada sem resistência.
Os golpes palacianos descem até as casernas, os Chefes do Estado-Maior da
Guiné-Bissau não tem tido sorte diferente, volta e meia colegas de caserna
acabam por colocar fim a vida de quem está a frente das Forças Armadas.
A comunidade internacional sempre acompanhou a situação na Guiné-Bissau, houve
condenações, por várias ocasiões ameaçou suspender o país da organizações
internacionais de que é parte, a CEDEAO ensaiou um intervenção em 1998, com o
Senegal a liderar a ECOMOG (Braço Armado da CEDEAO), mas a operação foi mal
sucedida.
O fracasso da missão de 1998 na Guiné-Bissau fez a mística das Forças Armadas
guineenses. Há uma espécie de mito no seio dos militares guineenses que acham
que são invencíveis e que devem controlar o poder político legalmente
instituído, por esta razão, sempre que as chefias militares vêem o seu poder de
influencia em causa, seja particular ou do colectivo militar, a primeira
atitude é pôr fim ao poder político legitimamente instituído. Então a decisão
das urnas é esquecida em nome dos militares.
Desta vez os militares foram ao extremo ao sugerir um Governo de Transição
composto por partidos sem representatividade parlamentar.
Nino Vieira foi o único que manteve-se no poder na sequência
do golpe de Estado de 1980. Naquela altura a conjuntura nacional e
internacional era outra, os conceitos de soberania e de não ingerência nos
assuntos internos dos Estados eram venerados. Mas actualmente é impensável o
que os militares guineenses propuseram no suposto Acordo com os partidos da
oposição: um governo de transição que irá governar a Guiné-Bissau por dois
anos. Findo os quais, o poder seria entregue aos civis através de eleições
simultâneas, presidenciais e legislativas.
O Acordo assinado entre o Comando Militar e os Partidos Políticos da oposição afirma
no artigo I o seguinte:"1- O Comando Militar declara inequivocamente a
transferência do poder aos civis.
2 - O Comando Militar, voluntariamente e após a tomada de posse do poder civil
instituído, nomeadamente o Presidente da República de Transição e o Conselho
Nacional de Transição e o Governo de Transição, regressará as casernas com espírito
de submissão ao poder político".
É uma espécie de legitimação do golpe a moda antiga, o Acordo afirma que só
será respeitado o poder judicial e o militar, sublinha ainda que os Partidos
signatários acordaram em manter a Chefia Militar vigente. Este ponto é
claramente despropositado porque todos nós sabemos que o contrário não era
possível, ou seja, destituir o Chefe do Estado-Maior por desrespeito a
Constituição da República e traição a pátria.
A Comunidade Internacional está a perder terreno e as divisões já se fazem
sentir. A CEDEAO parece dar a sua bênção ao Governo de Transição porque foi
depois da visita da delegação daquela organização à Bissau que o Comando
Militar anunciou a intenção de negociar com os partidos da oposição a via para
consolidar o Golpe de Estado.
Por outro lado, enquanto a União Africana suspendeu a
Guiné-Bissau de todas as actividades da organização, não se compreende como é
que a CEDEAO convidou o Comando Militar para participar na cimeira
extraordinária, tendo a delegação guineense viajado num avião da Costa do
Marfim que se deslocou a propósito para Bissau.
Nada garante que desta vez os militares vão voltar para as casernas e que irão
respeitar o poder político democraticamente eleito. Por está razão não se
compreende a complacência da CEDEAO com relação ao Comando Militar.
Há necessidade da comunidade internacional ajudar a Guiné-Bissau e os
Guineenses a encontrar a paz política e democrática definitivamente. Caso o
Comando Militar consiga efectivar a instituição de um Governo de Transição haverá
um precedente gravíssimo no continente africano. Por isso corroboro plenamente
com o posicionamento de CPLP, pondo a possibilidade de uma intervenção militar.
Esta é uma acção que há muito tempo se espera da CPLP, as chefias militares teriam
que ser submetidas ao poder político para que compreendam de uma vez por todas
que Golpes de Estado já não fazem parte da paisagem política do mundo moderno.
A novidade é o facto da CEDEAO ter manifestado a sua
prontidão para enviar um contingente de 638 efectivos composto por militares da
Nigéria, Costa do Marfim, Senegal e do Burquina-Faso. Só não está claro se essa
força irá obrigar o Comando Militar a repor a legalidade constitucional
incondicionalmente. Para além disso, porquê que só agora a CEDEAO tem essa
disponibilidade quando há anos se solicita o envolvimento daquela comunidade
económica regional. È essa falta de convergência de estratégias para a
resolução dos problemas que faz de África um continente onde o caos vai
reinando em certos países; Coisas de África!
domingo, 1 de abril de 2012
FILOSOFIA DA EDUCAÇÃO
A AUTORIDADE NA EDUCAÇÃO
Por: Belarmino Van-Dúnem
A autoridade do mestre, actualmente Professor, sobre o discípulo ou aluno sempre foi problemática ou ambígua. O dilema consiste no facto do mestre ou Professor aparecer como aquele que tem mais experiência, conhecimento, domínio teórico e prático dos conteúdos que permitem uma intervenção consciente, eficiente e eficaz no meio em que o indivíduo está inserido.
Mas ao longo do tempo a realidade tem mudado e não são raros os casos em que o discente tem mais experiencia de vida vivida que o mestre. Por outro lado, a expansão dos meios de comunicação e informação possibilitaram ao discente o acesso à um conjunto de informações que podem escapar a lupa investigava do mestre, logo a autoridade baseada no status de perito, por parte do docente entra numa espécie de decadência.
O filósofo Olivier Reboul (1925-2002), no seu livro Filosofia da Educação apresenta seis tipos de autoridade (contracto, perito, árbitro, modelo, líder e a do Rei-pai). A primeira forma de autoridade (contracto) baseia-se no facto de cada uma das partes estar ligada pelo seu próprio consentimento. É a autoridade da regra sobre os jogadores, portanto, a sua infracção significa fraude ou batota. No segundo caso (o perito) consiste na autoridade do homem cujo conselho se segue sem mesmo compreender, porque se reconhece a sua competência, “tem autoridade” na matéria. Este tipo de autoridade se exprime por avisos, por relatórios, por prescrições médicas, sempre por conselhos. A sua infracção não é considerada batota, mas uma imprudência que pode ser fatal.
A terceira, do (arbitro) é menos racional que as antecedentes, o arbitro no caso dos desportos, mais também o juiz. Dirime um conflito por uma decisão que o arbitro nem sempre deve justificar, porque está previamente justificado a dá-la. Pensa-se que mais vale um veredicto mesmo arbitrário que põe fim ao conflito do que um conflito sem fim. A infracção a decisão do árbitro significa desobediência. A quarta autoridade é a do (modelo), este tipo de autoridade é a mais duradoira, porque o seu fundamento não é uma necessidade de ocasião, mas o prestigio que sobressai do modelo e a admiração que ele suscita. Aqui a infracção surge como incultura.
A quinta autoridade é a do (líder) este tipo de autoridade tal como a anterior assenta no prestígio, mas o prestígio do líder força os outros menos a imitá-lo do que a segui-lo. Aqui o seguidor sofre a dupla necessidade de admirar e de obedecer, no sentido em que a obediência pacifica e dispensa de querer. Os adultos o acham inumana ou deficiente e os jovens cerram fileiras atrás dos chefes.
A última, a mais irracional, é a do (Rei-pai). Aqui a autoridade existe antes de toda a explicação, antes de toda a discussão, ela já está ali, inexplicável e irrevogável. Portanto, aquele que exerce este tipo de autoridade representa a civilização, à qual o indivíduo deve ser elevado, mesmo antes de a compreender. É uma espécie de “direito divino”, a autoridade do adulto sobre a criança.
Depois estarem expostas as seis tipologia de autoridade resta saber qual delas é desejável na educação e como os professores em Angola lidam com a sua autoridade, mormente no ensino superior.
Não existem dúvidas que na educação deve prevalecer a autoridade do perito. O Professor é uma espécie de “pessoa - recurso” que vem em ajuda dos alunos e lhes fornece as explicações que eles pedem, mas também é desejável a autoridade do árbitro , surgindo sempre que existam conflitos ao longo do processo de ensino/aprendizagem. É desejável que o “perito e árbitro” tenha também a autoridade do modelo, porque o discente deve ver no docente um modelo e respeitá-lo não pelo contracto, mas por reconhecer nele autoridade e competência para atingir o projecto final que os coloca no mesmo circulo.
Uma análise factual do sistema de ensino em Angola, demonstra que os discente são colocados perante modelos impostos, ou seja, o Professor aparece como modelo a seguir, não pela sua competência e capacidade, mas porque existe um contracto entre este e a instituição de ensino. Portanto trata-se de uma autoridade funcional, que se legitima só pela necessidade que dela se tem e que, nem em poder nem em duração, pode exceder a sua função.
Os alunos devem ser considerados como livres, nos novos sistemas de educação, denominados de educação nova, o processo de ensino/aprendizagem não está sujeito aos programas oficiais. Os discentes aprendem o que lhes incentiva mais, por exemplo, podem escrever uma narrativa em vez de lhes ser imposto um autor. Aprendem a autonomia sendo autónomos, a cooperação, cooperando, a democracia através da sua prática.
As dificuldades que encontramos estão relacionadas com o facto de algumas pessoas se comportarem como neuróticas a autoridade, abdicam de todas as responsabilidades pessoais, enquanto outros a rejeitam nas suas formas mais modestas e necessárias. A autoridade deve ser moderada e exercida dentro dos parâmetros que permitam o desenvolvimento do ensino e aprendizagem.
*Reflexão feita com base em: Reboul, Olivier (2000), Filosofia da Educação, Edições 70, Lisboa.
Por: Belarmino Van-Dúnem
A autoridade do mestre, actualmente Professor, sobre o discípulo ou aluno sempre foi problemática ou ambígua. O dilema consiste no facto do mestre ou Professor aparecer como aquele que tem mais experiência, conhecimento, domínio teórico e prático dos conteúdos que permitem uma intervenção consciente, eficiente e eficaz no meio em que o indivíduo está inserido.
Mas ao longo do tempo a realidade tem mudado e não são raros os casos em que o discente tem mais experiencia de vida vivida que o mestre. Por outro lado, a expansão dos meios de comunicação e informação possibilitaram ao discente o acesso à um conjunto de informações que podem escapar a lupa investigava do mestre, logo a autoridade baseada no status de perito, por parte do docente entra numa espécie de decadência.
O filósofo Olivier Reboul (1925-2002), no seu livro Filosofia da Educação apresenta seis tipos de autoridade (contracto, perito, árbitro, modelo, líder e a do Rei-pai). A primeira forma de autoridade (contracto) baseia-se no facto de cada uma das partes estar ligada pelo seu próprio consentimento. É a autoridade da regra sobre os jogadores, portanto, a sua infracção significa fraude ou batota. No segundo caso (o perito) consiste na autoridade do homem cujo conselho se segue sem mesmo compreender, porque se reconhece a sua competência, “tem autoridade” na matéria. Este tipo de autoridade se exprime por avisos, por relatórios, por prescrições médicas, sempre por conselhos. A sua infracção não é considerada batota, mas uma imprudência que pode ser fatal.
A terceira, do (arbitro) é menos racional que as antecedentes, o arbitro no caso dos desportos, mais também o juiz. Dirime um conflito por uma decisão que o arbitro nem sempre deve justificar, porque está previamente justificado a dá-la. Pensa-se que mais vale um veredicto mesmo arbitrário que põe fim ao conflito do que um conflito sem fim. A infracção a decisão do árbitro significa desobediência. A quarta autoridade é a do (modelo), este tipo de autoridade é a mais duradoira, porque o seu fundamento não é uma necessidade de ocasião, mas o prestigio que sobressai do modelo e a admiração que ele suscita. Aqui a infracção surge como incultura.
A quinta autoridade é a do (líder) este tipo de autoridade tal como a anterior assenta no prestígio, mas o prestígio do líder força os outros menos a imitá-lo do que a segui-lo. Aqui o seguidor sofre a dupla necessidade de admirar e de obedecer, no sentido em que a obediência pacifica e dispensa de querer. Os adultos o acham inumana ou deficiente e os jovens cerram fileiras atrás dos chefes.
A última, a mais irracional, é a do (Rei-pai). Aqui a autoridade existe antes de toda a explicação, antes de toda a discussão, ela já está ali, inexplicável e irrevogável. Portanto, aquele que exerce este tipo de autoridade representa a civilização, à qual o indivíduo deve ser elevado, mesmo antes de a compreender. É uma espécie de “direito divino”, a autoridade do adulto sobre a criança.
Depois estarem expostas as seis tipologia de autoridade resta saber qual delas é desejável na educação e como os professores em Angola lidam com a sua autoridade, mormente no ensino superior.
Não existem dúvidas que na educação deve prevalecer a autoridade do perito. O Professor é uma espécie de “pessoa - recurso” que vem em ajuda dos alunos e lhes fornece as explicações que eles pedem, mas também é desejável a autoridade do árbitro , surgindo sempre que existam conflitos ao longo do processo de ensino/aprendizagem. É desejável que o “perito e árbitro” tenha também a autoridade do modelo, porque o discente deve ver no docente um modelo e respeitá-lo não pelo contracto, mas por reconhecer nele autoridade e competência para atingir o projecto final que os coloca no mesmo circulo.
Uma análise factual do sistema de ensino em Angola, demonstra que os discente são colocados perante modelos impostos, ou seja, o Professor aparece como modelo a seguir, não pela sua competência e capacidade, mas porque existe um contracto entre este e a instituição de ensino. Portanto trata-se de uma autoridade funcional, que se legitima só pela necessidade que dela se tem e que, nem em poder nem em duração, pode exceder a sua função.
Os alunos devem ser considerados como livres, nos novos sistemas de educação, denominados de educação nova, o processo de ensino/aprendizagem não está sujeito aos programas oficiais. Os discentes aprendem o que lhes incentiva mais, por exemplo, podem escrever uma narrativa em vez de lhes ser imposto um autor. Aprendem a autonomia sendo autónomos, a cooperação, cooperando, a democracia através da sua prática.
As dificuldades que encontramos estão relacionadas com o facto de algumas pessoas se comportarem como neuróticas a autoridade, abdicam de todas as responsabilidades pessoais, enquanto outros a rejeitam nas suas formas mais modestas e necessárias. A autoridade deve ser moderada e exercida dentro dos parâmetros que permitam o desenvolvimento do ensino e aprendizagem.
*Reflexão feita com base em: Reboul, Olivier (2000), Filosofia da Educação, Edições 70, Lisboa.
MALI: ASCENSÃO E QUEDA DE UM PRESIDENTE
Por: Belarmino Van-Dúnem
A República do Mali foi uma das ex-colónias francesas que alcançou a sua independência em 1960, sob a liderança do pan-africanista Modibo Keita que faleceu na pressão em 1977. O Presidente Mobibo Keita não conseguiu resistir no poder por mais de 2 anos, tendo sido deposto num Golpe de Estado em 1962.
O Comité Militar de Libertação Nacional (CMLN) foi liderado por Moussa Traoré que, depois de suspender a constituição formou um novo governo e fez reformas politicas radicais, tendo declarado a formação da União Democrática do Povo Maliano (UDPM) como único partido legal, portando o sistema de monopartidarismo.
No ano de 1979, o Presidente Traoré ensaiou eleições gerais, tendo sido eleito. O processo eleitoral foi repetido em 1985 com os resultados a confirmarem as previsões, o Presidente Traoré, mais uma vez, venceu o pleito sem grandes dificuldades.
Os ventos da democracia que assolaram toda África ao sul do Saara nos anos 90, tiveram grande influência no Mali.
No ano de 1991 foi a primeira aparição politica do actual Presidente, Amadou Toumani Touré, deposto na noite de 21 para 22 de Março de 2012. Depois de dissolver o Governo do UDPM e de suspender a constituição, o oficial das Forças Armadas, Touré, pára-quedista com formação militar na ex-União Soviética e em França, foi indicado como Presidente interino, tendo organizado as primeiras eleições consideradas livres e justas pela comunidade internacional em 1992.
Na sequência do pleito eleitoral saiu vencedor, Alpha Oumar Komaré, considerado o primeiro Presidente do Mali eleito democraticamente. O processo eleitoral que culminou com a vitoria de Komaré em Abril de 1992 fizeram de Amadou Toumani Touré uma referência política em África, foi o segundo Chefe de Estado em África que retirava-se do poder na sequência de eleições democráticas, o primeiro exemplo havia sido dado por Olusegun Obasanjo da Nigéria.
O oficial das Forças Armadas malianas, ostentando a patente de General, ganhou gosto pela política. Não tardou, Amadou Toumani Touré retirou a farda e transformou-se num diplomata de prestigio, tendo chefiado a Missão da ONU para o processo de paz no Ruanda e no Burundi na qualidade de facilitador, posteriormente foi indicado como enviado especial do Secretário-geral da ONU, Kofi Anan para a República Centro-Africana e tornou-se membro da Fundação Cárter.
O diplomata dos bons ofícios em África, afinal tinha os olhos no seu próprio país. Enquanto se dedicava às actividades de mediação, foi criando as bases políticas internas para o seu retorno a política activa e, só foram necessários dez anos para que Amadou Toumani Touré anunciasse a vontade de concorrer para o cargo de Presidente da República, facto que veio a se concretizar em 2002.
A popularidade de Touré era tão consensual que conseguiu vencer as eleições sem o apoio de um partido político específico, alias o presidente deposto não é militante partidário, governa com base numa coligação de partidos políticos.
O primeiro mandato de Amadou Toumani Touré correu sem grandes sobressaltos, tendo sido reeleito em 2007 com cerca de 68 por cento dos votos. As capacidades de negociação e liderança do presidente deposto começaram a ser postas em causa no inicio de 2012 quanto uma rebelião, composta maioritariamente por indivíduos pertencentes a etnia dos tuaregues, tomou de salto várias cidades no norte do país, perante a incapacidade das Forças Armadas Nacionais em repor a Unidade Nacional, situação já vivida pelos malianos na década de 60.
O grupo rebelde que se auto-denomina de Movimento Nacional de Libertação de Azawad (MNLA) tem o domínio de várias cidades do norte do país e está melhor equipado do ponto de vista de meios militares, tendo ficado mais forte com armamento e guerrilheiros provenientes da Líbia. Por outro lado, emergiu um grupo islâmico, os Defensores do Corão que controlam algumas cidades, ao contrário do MNLA que reclama a secessão do norte do país, os Defensores do Corão almejam uma lei charia para o Mali.
Os militares que declararam o Golpe de Estado na madrugado do dia 22 de Março de 2012, justificaram a acção com base na fraca resposta do poder central face a situação no norte do país, por outro lado, afirmam que não havia certeza que as eleições do próximo dia 29 de Abril de 2012 teriam lugar.
Face a situação os militares criaram o Comité Nacional para a Recuperação da Democracia e a Restauração do Estado. A constituição e todas as instituições públicas do país já foram suspensas. Os militares prometem entregar o poder aos civis depois da realizarem eleições livres e justas, mas não adiantaram datas.
As reacções da comunidade internacional já começaram, existe unanimidade na condenação do acto e tudo leva a crer que os militares não conseguirão manter-se no poder por muito tempo. Até porque o golpe de Estado é despropositado e sem fundamento, o Presidente Touré já estava no fim do seu segundo mandato. Alias, os próprios golpistas não apresentaram uma solução de médio, curto prazo para pôr fim a rebelião no norte do país.
A República do Mali foi uma das ex-colónias francesas que alcançou a sua independência em 1960, sob a liderança do pan-africanista Modibo Keita que faleceu na pressão em 1977. O Presidente Mobibo Keita não conseguiu resistir no poder por mais de 2 anos, tendo sido deposto num Golpe de Estado em 1962.
O Comité Militar de Libertação Nacional (CMLN) foi liderado por Moussa Traoré que, depois de suspender a constituição formou um novo governo e fez reformas politicas radicais, tendo declarado a formação da União Democrática do Povo Maliano (UDPM) como único partido legal, portando o sistema de monopartidarismo.
No ano de 1979, o Presidente Traoré ensaiou eleições gerais, tendo sido eleito. O processo eleitoral foi repetido em 1985 com os resultados a confirmarem as previsões, o Presidente Traoré, mais uma vez, venceu o pleito sem grandes dificuldades.
Os ventos da democracia que assolaram toda África ao sul do Saara nos anos 90, tiveram grande influência no Mali.
No ano de 1991 foi a primeira aparição politica do actual Presidente, Amadou Toumani Touré, deposto na noite de 21 para 22 de Março de 2012. Depois de dissolver o Governo do UDPM e de suspender a constituição, o oficial das Forças Armadas, Touré, pára-quedista com formação militar na ex-União Soviética e em França, foi indicado como Presidente interino, tendo organizado as primeiras eleições consideradas livres e justas pela comunidade internacional em 1992.
Na sequência do pleito eleitoral saiu vencedor, Alpha Oumar Komaré, considerado o primeiro Presidente do Mali eleito democraticamente. O processo eleitoral que culminou com a vitoria de Komaré em Abril de 1992 fizeram de Amadou Toumani Touré uma referência política em África, foi o segundo Chefe de Estado em África que retirava-se do poder na sequência de eleições democráticas, o primeiro exemplo havia sido dado por Olusegun Obasanjo da Nigéria.
O oficial das Forças Armadas malianas, ostentando a patente de General, ganhou gosto pela política. Não tardou, Amadou Toumani Touré retirou a farda e transformou-se num diplomata de prestigio, tendo chefiado a Missão da ONU para o processo de paz no Ruanda e no Burundi na qualidade de facilitador, posteriormente foi indicado como enviado especial do Secretário-geral da ONU, Kofi Anan para a República Centro-Africana e tornou-se membro da Fundação Cárter.
O diplomata dos bons ofícios em África, afinal tinha os olhos no seu próprio país. Enquanto se dedicava às actividades de mediação, foi criando as bases políticas internas para o seu retorno a política activa e, só foram necessários dez anos para que Amadou Toumani Touré anunciasse a vontade de concorrer para o cargo de Presidente da República, facto que veio a se concretizar em 2002.
A popularidade de Touré era tão consensual que conseguiu vencer as eleições sem o apoio de um partido político específico, alias o presidente deposto não é militante partidário, governa com base numa coligação de partidos políticos.
O primeiro mandato de Amadou Toumani Touré correu sem grandes sobressaltos, tendo sido reeleito em 2007 com cerca de 68 por cento dos votos. As capacidades de negociação e liderança do presidente deposto começaram a ser postas em causa no inicio de 2012 quanto uma rebelião, composta maioritariamente por indivíduos pertencentes a etnia dos tuaregues, tomou de salto várias cidades no norte do país, perante a incapacidade das Forças Armadas Nacionais em repor a Unidade Nacional, situação já vivida pelos malianos na década de 60.
O grupo rebelde que se auto-denomina de Movimento Nacional de Libertação de Azawad (MNLA) tem o domínio de várias cidades do norte do país e está melhor equipado do ponto de vista de meios militares, tendo ficado mais forte com armamento e guerrilheiros provenientes da Líbia. Por outro lado, emergiu um grupo islâmico, os Defensores do Corão que controlam algumas cidades, ao contrário do MNLA que reclama a secessão do norte do país, os Defensores do Corão almejam uma lei charia para o Mali.
Os militares que declararam o Golpe de Estado na madrugado do dia 22 de Março de 2012, justificaram a acção com base na fraca resposta do poder central face a situação no norte do país, por outro lado, afirmam que não havia certeza que as eleições do próximo dia 29 de Abril de 2012 teriam lugar.
Face a situação os militares criaram o Comité Nacional para a Recuperação da Democracia e a Restauração do Estado. A constituição e todas as instituições públicas do país já foram suspensas. Os militares prometem entregar o poder aos civis depois da realizarem eleições livres e justas, mas não adiantaram datas.
As reacções da comunidade internacional já começaram, existe unanimidade na condenação do acto e tudo leva a crer que os militares não conseguirão manter-se no poder por muito tempo. Até porque o golpe de Estado é despropositado e sem fundamento, o Presidente Touré já estava no fim do seu segundo mandato. Alias, os próprios golpistas não apresentaram uma solução de médio, curto prazo para pôr fim a rebelião no norte do país.
sábado, 25 de fevereiro de 2012
DIPLOMACIA VIA EXPRESSO LUANDA – PRETÓRIA
Por: Belarmino Van-Dúnem
No dia 19 de Fevereiro de 2012, domingo, o Presidente da África do Sul, Jocob Zuma, fez uma passagem relâmpago por Luanda para, junto do seu homologo angolano, José Eduardo dos Santos, fazer um briefing sobre o encontro que alguns Chefes de Estados tiveram no Benin, a convite do Presidente daquele Estado que é também o actual Presidente exercício da União Africana.
Os Chefes de Estado de Angola e da África têm estado em concertações periódicas, tanto em território angolano como na África do Sul. Há uma diplomacia directa, via expresso entre Luanda e Pretoria, capital administrativa da África do Sul. Os dois Estados têm responsabilidades acrescidas na arena internacional, mas a conjuntura política no continente africano e nas sub-regiões que a compõem é bastante sensível no momento e só irá prevalecer com capacidade de influência o Estado que melhor gerir a situação actual.
A África do Sul acordou e acaba de sair do sistema de “The Quiet Diplomacy of Liberation”, ou seja, a diplomacia do silêncio que caracterizou o país durante o período de transição (Christopher Landberg 2004). Hoje a África do Sul reclama de alto e bom som, o seu direito de intervir, como potência continental, nas questões mais cadentes que afligem a região austral e o continente africano em geral. Nota-se uma aproximação do Estado sul-africano aos seus pares, durante o mandato de Nelson Mandela, a diplomacia era feita com base na figura do Chefe de Estado, a África do Sul era levada por arrasto, prevalecia a figura do Mandela herói, conciliador e respeitado por todos.
A ascensão de Thabo Mbeki criou uma espécie de retiro da África do Sul no que concerne ao empenho directo nos problemas do continente africano. O Presidente Mbeki era mais elitista, formalista e com uma visão estruturante, por isso fazia sentir a sua presença nos fóruns internacionais e, em muitos casos, foi indicado como representante do continente. A visão funcionalista de Mbeki pode ser constatada nas suas acções, tais como: Primeiro Presidente em Exercício da União Africana e Co-fundador da NEPAD (sigla inglesa: Nova parceria para o Desenvolvimento de África).
A escalada de Jacob Zuma até ao poder criou novas esperança da África do Sul ascender de uma potência económica, expandindo a sua influência para a arena política. Zuma apareceu com um discurso voltado para África, maior e melhores parcerias com os países que fazem a diferença, quer política ou económica. O seu primeiro passo foi colocar Luanda e Pretória no centro das decisões políticas a nível da SADC e da UA, esforço que vinha sendo feito por Angola há décadas.
A África do Sul actualmente é a “auto-estrada” diplomática da África Austral e do continente. É membro não permanente do Conselho de Segurança da ONU; está em permanente contacto com os países emergentes através do IBSA (sigla inglesa: Índia, Brasil e África do Sul); mas este grupo se juntou ao BRIC (Brasil, Rússia; Índia e China) que passou a BRICSA (Brasil, Rússia, Índia, China e South África).
Este grupo é estratégico, politicamente falando e até do ponto de vista económico porque congrega dois membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU e três Estados com as economias mais prósperas da actualidade e do futuro. Para fazer o complemento, a África do Sul está a bater-se nos corredores diplomáticos do continente para colocar uma cidadã nacional a presidir a Comissão da União Africana, caso esse facto venha a acontecer, 2012 será o ano da diplomacia sul-africana, aquele país preside o Órgão de Politica Defesa e Segurança da SADC.
Angola, por sua vez, sempre esteve no centro da diplomacia universal e africana. A República de Angola é património diplomático de África: o Príncipe N´Funta, baptizado com o nome de António Manuel, com a alcunha de “Negrita” foi o primeiro Embaixador africano junto da Santa Sé em Roma, enquanto enviado de Sua Majestade, o Rei Mpangu-a-Nimi-a-Lukeni (Dom Álvaro II) em 1608, ano da sua precária chegada a Roma onde veio a falecer dias depois. Durante os séculos XVII, XVII e XIX, vários reis e rainhas destacaram-se como verdadeiros diplomatas, procurando a paz através do diálogo, com especial destaque para a Rainha N´Jiga M'Bande Ya N'Gola Kiluange Kya Samba.
No século XX, Angola destacou-se, principalmente desde a década de 50, quando os nacionalistas angolanos começaram a utilizar a via diplomática para denunciar os horrores do colonialismo, reivindicando a autodeterminação do território nacional. Essa dinâmica levou Angola a estar no centro da discussão nos fóruns mundiais, mesmo antes da independência, o território já era alvo de acesos debates na ONU.
Nas décadas de 70 e 80 Angola foi o centro da Guerra Fria em África, bateu-se pela independência do Zimbabué, da Namíbia e para o fim do Apartheid na África do Sul. O Primeiro Presidente de Angola, António Agostinho Neto caracterizava-se por ser um incontestável defensor dos direitos dos africanos e pana-fricanista convicto.
O Presidente José Eduardo dos Santos soube dar continuidade a esse legado, o Estado angolano é co-fundador da CPLP, dos PALOP, SADC e UA. Assenta a sua diplomacia na boa vizinhança e na prestação dos bons ofícios nos sectores da Paz e da Segurança, sem perder de vista a diplomacia económica, fim - último de qualquer politica externa.
A República de Angola granjeou um lugar no centro da diplomacia africana, o corredor diplomático Luanda – Pretória irá beneficiar os dois Estados e o continente e, caso os projectos de industrialização nacional se concretizem poderemos ver o grupo BRICSA, a transformar-se no BRICSAA (Brasil, Rússia, Índia, China, South África e Angola), até porque Angola tem uma parceria estratégica com o Brasil e a China; relações históricas com a Rússia, há um ambiente de diálogo salutar com a Índia e a “Diplomacia via expresso, Luanda – Pretoria vai de vento em popa”.
No dia 19 de Fevereiro de 2012, domingo, o Presidente da África do Sul, Jocob Zuma, fez uma passagem relâmpago por Luanda para, junto do seu homologo angolano, José Eduardo dos Santos, fazer um briefing sobre o encontro que alguns Chefes de Estados tiveram no Benin, a convite do Presidente daquele Estado que é também o actual Presidente exercício da União Africana.
Os Chefes de Estado de Angola e da África têm estado em concertações periódicas, tanto em território angolano como na África do Sul. Há uma diplomacia directa, via expresso entre Luanda e Pretoria, capital administrativa da África do Sul. Os dois Estados têm responsabilidades acrescidas na arena internacional, mas a conjuntura política no continente africano e nas sub-regiões que a compõem é bastante sensível no momento e só irá prevalecer com capacidade de influência o Estado que melhor gerir a situação actual.
A África do Sul acordou e acaba de sair do sistema de “The Quiet Diplomacy of Liberation”, ou seja, a diplomacia do silêncio que caracterizou o país durante o período de transição (Christopher Landberg 2004). Hoje a África do Sul reclama de alto e bom som, o seu direito de intervir, como potência continental, nas questões mais cadentes que afligem a região austral e o continente africano em geral. Nota-se uma aproximação do Estado sul-africano aos seus pares, durante o mandato de Nelson Mandela, a diplomacia era feita com base na figura do Chefe de Estado, a África do Sul era levada por arrasto, prevalecia a figura do Mandela herói, conciliador e respeitado por todos.
A ascensão de Thabo Mbeki criou uma espécie de retiro da África do Sul no que concerne ao empenho directo nos problemas do continente africano. O Presidente Mbeki era mais elitista, formalista e com uma visão estruturante, por isso fazia sentir a sua presença nos fóruns internacionais e, em muitos casos, foi indicado como representante do continente. A visão funcionalista de Mbeki pode ser constatada nas suas acções, tais como: Primeiro Presidente em Exercício da União Africana e Co-fundador da NEPAD (sigla inglesa: Nova parceria para o Desenvolvimento de África).
A escalada de Jacob Zuma até ao poder criou novas esperança da África do Sul ascender de uma potência económica, expandindo a sua influência para a arena política. Zuma apareceu com um discurso voltado para África, maior e melhores parcerias com os países que fazem a diferença, quer política ou económica. O seu primeiro passo foi colocar Luanda e Pretória no centro das decisões políticas a nível da SADC e da UA, esforço que vinha sendo feito por Angola há décadas.
A África do Sul actualmente é a “auto-estrada” diplomática da África Austral e do continente. É membro não permanente do Conselho de Segurança da ONU; está em permanente contacto com os países emergentes através do IBSA (sigla inglesa: Índia, Brasil e África do Sul); mas este grupo se juntou ao BRIC (Brasil, Rússia; Índia e China) que passou a BRICSA (Brasil, Rússia, Índia, China e South África).
Este grupo é estratégico, politicamente falando e até do ponto de vista económico porque congrega dois membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU e três Estados com as economias mais prósperas da actualidade e do futuro. Para fazer o complemento, a África do Sul está a bater-se nos corredores diplomáticos do continente para colocar uma cidadã nacional a presidir a Comissão da União Africana, caso esse facto venha a acontecer, 2012 será o ano da diplomacia sul-africana, aquele país preside o Órgão de Politica Defesa e Segurança da SADC.
Angola, por sua vez, sempre esteve no centro da diplomacia universal e africana. A República de Angola é património diplomático de África: o Príncipe N´Funta, baptizado com o nome de António Manuel, com a alcunha de “Negrita” foi o primeiro Embaixador africano junto da Santa Sé em Roma, enquanto enviado de Sua Majestade, o Rei Mpangu-a-Nimi-a-Lukeni (Dom Álvaro II) em 1608, ano da sua precária chegada a Roma onde veio a falecer dias depois. Durante os séculos XVII, XVII e XIX, vários reis e rainhas destacaram-se como verdadeiros diplomatas, procurando a paz através do diálogo, com especial destaque para a Rainha N´Jiga M'Bande Ya N'Gola Kiluange Kya Samba.
No século XX, Angola destacou-se, principalmente desde a década de 50, quando os nacionalistas angolanos começaram a utilizar a via diplomática para denunciar os horrores do colonialismo, reivindicando a autodeterminação do território nacional. Essa dinâmica levou Angola a estar no centro da discussão nos fóruns mundiais, mesmo antes da independência, o território já era alvo de acesos debates na ONU.
Nas décadas de 70 e 80 Angola foi o centro da Guerra Fria em África, bateu-se pela independência do Zimbabué, da Namíbia e para o fim do Apartheid na África do Sul. O Primeiro Presidente de Angola, António Agostinho Neto caracterizava-se por ser um incontestável defensor dos direitos dos africanos e pana-fricanista convicto.
O Presidente José Eduardo dos Santos soube dar continuidade a esse legado, o Estado angolano é co-fundador da CPLP, dos PALOP, SADC e UA. Assenta a sua diplomacia na boa vizinhança e na prestação dos bons ofícios nos sectores da Paz e da Segurança, sem perder de vista a diplomacia económica, fim - último de qualquer politica externa.
A República de Angola granjeou um lugar no centro da diplomacia africana, o corredor diplomático Luanda – Pretória irá beneficiar os dois Estados e o continente e, caso os projectos de industrialização nacional se concretizem poderemos ver o grupo BRICSA, a transformar-se no BRICSAA (Brasil, Rússia, Índia, China, South África e Angola), até porque Angola tem uma parceria estratégica com o Brasil e a China; relações históricas com a Rússia, há um ambiente de diálogo salutar com a Índia e a “Diplomacia via expresso, Luanda – Pretoria vai de vento em popa”.
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